26 de mai. de 2010


"Ide".



ele está com os que não esperam. para eles o rosto de Cristo é irrecuperável, distorcido pelo e no tempo e nenhum desses panos de verônica lhe inspiram confiança.



eu vi e ele não estava sozinho.
vi que eram muitos. era uma legião e concordavam num só homem.






ninguém mais crê nas origens. ninguém mais confia no ouvir, apenas no ver, no constatar. o "creio" saiu de moda.

emunah: confiança.

ouviu-me dizendo que no Jesus dos sinóticos e da cristologia joanina, já vem a hora e agora é, que não importará mais esse ou aquele acrescido romântico mas sim o essencial: ele é o filho de Deus, ou seja, é o homem verdadeiro e o verdadeiro homem e por isso só ele pôde mostrar o verdadeiro Deus e o Deus verdadeiro.
(aqui o não-dito fala por si).

o que os profetas prenunciavam, o que os confúcios, budas, sócrates e congêneres ensinavam, Cristo FOI e É: o humano por excelência. pura passagem, pura páscoa, totalmente aberto para Deus, totalmente aberto para os outros.
Marx, Freud, Deleuze, Nietzsche...
o homem desalienado, autêntico, livre, é Ele e quem nele consegue estar! ele É a boa-nova, ele É a palavra que diz, ele É o verbo que conjuga na práxis. o logos (o sentido) de ser humano encarnou naquele sentenciado na palestina ocupada.
ocupação romana, invasão militar, política e cultural. não há como desvincular o dito que É Jesus do seu não-dito que é o ethos do império.

"só sobraram dois ossos e uma ponta de orelha. o resto o Leão comeu. mas com isso que sobrou Deus vai fazer grandes coisas"

fracasso.
o refluxo das multidões.
a dispersão dos discípulos quando a polícia chegou no horto...
fracasso.
atrás o malogro, à frente só a cruz. a cruz, o patíbulo reservado aos espártacos seja de que espécime e gênero fossem.
a cruz... a máxima ignomínia, lugar de facínoras, rebeldes e..."hereges".

alguma coisa aconteceu, ó excelentíssimo Theófilo. o discurso de Gamaliel (Atos 5:34-39) é crucial para compreender esse componente psicológico necessário à compreensão do ressurgimento literal de Jesus cristo: antes dele Teudas tinha juntado uns 400 homens mas sua captura e morte dispersou seus seguidores e esfumaçou sua mensagem. o mesmo ocorreu com um certo Bar-abbas.
para que discípulos antes amendrontados e vivendo à portas-cerradas pudessem de repente sair anunciando seu mestre sob risco de vida alguma coisa deve ter acontecido.

eu acredito que aconteceu.
eu creio que sim.
eu creio no sim.

e que o amor é mais forte do que a morte.

e aqui eu não podia ir adiante. não podia colocar a ressurreição de Cristo na mesa diante deles. aqui ou acreditavam ou não acreditavam. e por desconcertante que pareça já não se tratava mais de crer apenas em Jesus.

pois que acreditar na ressurreição é a última radicalidade da crença em Deus. pois foi Ele quem fez aquele sentenciado ressurgir numa outra modalidade de existência Outra.
e não só por amor dele.

mas como ele mesmo disse depois que ressou a voz confirmando o glorificado, no dia da visita dos gregos:
"não por amor de mim, mas por amor de vós"
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e outra vez retomo meus escritos, cada vez mais no Filho.